Empreendedorismo x Cultura

Outro dia estava lendo um artigo do filósofo Hélio Shwartsman, cujo título é “A democracia é para todos?”, no qual o articulista questionava se o sistema democrático seria compatível com todas as culturas.

Hoje, eu estava postando algumas fotos que fiz no terceiro rodízio que realizei no Sebrae/AP e lembrei que ao visitar uma comunidade nativa lá, eu fiquei com um questionamento similar: o empreendedorismo é para todos?

Em algumas culturas, não há uma mentalidade empresarial. Muitas comunidades indígenas são focadas na conservação da cultura e na repetição das tradições. Nesse contexto, projetos do Sebrae com esse público acabam não tendo seguimento. Se pensarmos que o empreendedorismo tem uma relação com uma atividade com foco no mercado, perceberemos que há um choque de culturas.

Não cheguei há uma resposta para o meu questionamento, mas acho que essa experiência ampliou minha visão sobre as dificuldades para atuação do Sebrae em áreas de grandes reservas indígenas. Eu passei a procurar mais subsídios para tentar pensar uma forma de atuação com esse público.

Futuro promissor!

Durante as duas últimas semanas, eu acompanhei o gestor do projeto de desenvolvimento territorial de Pedra Branca e Serra do Navio, no estado do Amapá, Reginaldo Macedo. Pude participar de reuniões nas comunidades para definir o plano de ações para 2011.

O projeto tem origem em um convênio entre o Ministério Público do Amapá e o Sebrae. Pelo acordo, o Sebrae ficou responsável por administrar R$ 2 milhões, oriundos de um termo de ajustamento de conduta (TAC) aplicado à mineradora MMX, e assumido pela empresa Anglo Ferrouz que, posteriormente, incorporou o MMX de Pedra Branca.

Esse recurso deu origem a vários projetos, principalmente nas comunidades mais isoladas dos dois municípios atendidos. Diversos benefícios já foram conseguidos, como acesso a internet, capacitação profissional, construção de pequenas fábricas, entre outros.

O objetivo do processo de desenvolvimento territorial é criar ambiência para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas. Muitas vezes as comunidades não possuem o mínimo de condição para poderem empreender e acabam perdendo oportunidades.

Nesse período, pude perceber a importância do trabalho do Sebrae na interiorização do desenvolvimento. Uma das reuniões mais marcantes para mim foi a da comunidade de Pedra Preta, no município de Serra do Navio. A localidade abriga uma das paisagens mais lindas que eu já vi. A associação de moradores é um exemplo do poder da organização social. Eles já conseguiram acessar vários programas federais, principalmente na área de cultura. Lá existe um cinema itinerante, uma pequena biblioteca e até um grupo de teatro.

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O próximo passo é desenvolver o turismo, aproveitando as potencialidades locais. Já está planejada a construção de um muro de arrimo e de dez chalés. A beleza do local é tanta que é difícil descrevê-la em palavras. Por isso, eu filmei e fotografei. Confiram! É maravilhoso!

Local da reunião do projeto de desenvolvimento territorial na comunidade de Pedra Preta

Paisagem em Pedra Preta

Macapá é uma cidade para se conhecer a pé

Fortaleza de São José

Apesar do clima bastante impeditivo (35ºC + umidade acima dos 50%), não há como apreciar Macapá se não for caminhando. Pela belíssima orla, é possível admirar a grandeza do rio Amazonas e passar por monumentos históricos como a Fortaleza de São José, que demorou 18 anos para ser construída, e o famoso Marco Zero, que marca a linha imaginária que divide o mundo em dois hemisférios.

É andando a pé também que é possível ver as carências da cidade, como a falta de calçadas, o saneamento básico deficiente e o trânsito um tanto desordenado.

O Amapá é um estado com muitos recursos naturais e também um grande exportador de

Exportar recursos naturais pode ser uma doença para a economia local

recursos brutos. Esses dois fatores conjugados elevam o perigo do estado sofrer da chamada doença holandesa, quando o excesso de exportação de recursos naturais leva a desindustrialização do território.

É nesse sentido que eu considero que o Sebrae deve trabalhar o desenvolvimento territorial por aqui. É preciso fazer com que os recursos brutos sejam manufaturados dentro do estado, para que os produtos exportados possam ter mais valor agregado. Para que isso aconteça, é preciso renunciar ao trabalho aparentemente mais simples de extrativismo e  dos royalties das grandes empresas estrangeiras e incentivar o desenvolvimento da indústria local.

Interior me espera

Esta semana, visitarei os municípios de Pedra Branca do Amaparí e Serra do Navio. Estou ansioso para conhecer o trabalho desenvolvido pelo Sebrae-AP por lá, e ver como o Sebrae Nacional pode contribuir para a evolução do projeto!

Até a próxima, raro leitor!

“Caosórdito”


A palavra que dá título a este post me foi apresentada pelo colega Heitor e explica totalmente o que passei na última semana durante o curso Empretec.

O Emprectec é um curso do Organização das Nações Unidas, que, no Brasil, é ministrado pelo Sebrae. O objetivo é estimular o empreendedorismo. O curso é internacional e já foi realizado em mais de 70 países. No Brasil, mais de 100 mil pessoas já tiveram a oportunidade de participar dessa experiência.

Para não estragar a experiência dos que ainda vão cursar o Empretec, não entrarei nos detalhes das dinâmicas do curso. O que gostaria de dizer é que o curso deixa claro que, se você for persistente e buscar se superar e se organizar, qualquer tarefa pode ser cumprida!

Retomo um exemplo de um fato que aconteceu comigo e com Heitor (aquele lá do 1º parágrafo, lembra?). Um dia fomos correr um percurso de 6km. Eu nunca havia cumprido essa distância em menos de 35 minutos. Porém, como estávamos correndo em dupla, eu me esforcei para acompanhar o ritmo do Heitor. Ao final, quando olhei o cronômetro, marcava 30 minutos! Uma melhora de 15%!

Os instrutores do Empretec me proporcionaram a mesma sensação. Fiz algo que não achava que era possível. Isso não tem preço. Obrigado, Sebrae!

Confira mais informações sobre o Empretec aqui:

Confira também a página do Empretec:

http://www.sebrae.com.br/momento/quero-abrir-um-negocio/vou-abrir/desperte-interesse/empretec

Ferramentas online: um modelo a ser seguido

Recentemente, foi lançado o programa Click Marketing, no qual você pode criar um plano de marketing para sua empresa. Em caso de dúvidas, você ainda tem a ajuda de um tutor. Quem quiser acessar, basta clicar na aba “faça seu plano de marketing”, aqui em cima, no cabeçalho deste blog.

As ferramentas online são excelentes, pois permitem ao Sebrae desterritorializar seu atendimento. Ou seja, permite que o entidade atenda sem precisar ter uma estrutura física. Além disso, ferramentas online de autoatendimento possibilitam que a instituição tenha maior capilaridade.

Por isso, o Click Marketing lançou um modelo que deve ser seguido pelo Sebrae, que é o desenvolvimento de ferramentas digitais de autoatendiemento que ajudem na gestão da empresa. Outra característica que o Click Marketing traz é a tutoria online. Dessa forma, se o usuário, ao preencher os campos, tiver alguma dúvida, ele pode entrar em contato com um tutor, que vai ajudá-lo.

Outro ponto que pode ser implementado é a integração dessas ferramentas online nos cursos que o Sebrae oferece. Pode-se introduzir um módulo ensinando a navegar nesses softwares. Assim, além de integrar seus produtos, o Sebrae dá um passo a mais para fidelizar o cliente.

Assista abaixo o vídeo de divulgação do Click Marketing:


Espaço para as mulheres

Hoje, dia 1º de janeiro de 2011, tomou posse a primeira mulher a ocupar a presidência do Brasil, Dilma Rouseff. Durante a transmissão, comentaristas diziam que a presidente queria que ao menos um terço dos ministérios estivesse sob comando feminino, mas que isso não foi possível porque os partidos não indicavam mulheres aos cargos. Dessa forma, há apenas nove mulheres entre os 37 ministros.

Esse fato me instigou a pesquisar quantas mulheres há no comando no Sistema Sebrae. Pude verificar que nenhum Sebrae estadual tem uma mulher como diretora superintendente. Em alguns, há mulheres nas diretorias de finança e técnicas. Apenas no Amapá elas são maioria na diretoria executiva.

Considero que esse é um ponto a se observar. Acredito que a busca pela paridade de gêneros pode acrescentar uma visão mais ampla dos problemas das micro e pequenas empresas. Vale lembrar que a pesquisa GEM já revelou que há mais mulheres empreendoras do que homens. Uma maior presença feminina no comando dos Sebrae pode contribuir para estratégias mais abrangentes.

Pensar para existir

Hoje, assisti a uma entrevista do psicólogo Contardo Calligaris, na qual ele diz que contar histórias é uma forma de auto análise. Ao ouvir isso, pensei prontamente no blog. Ao relatarmos nossa trajetória no programa de trainees, estamos analisando e destacando pontos que consideramos marcantes.

Esse mesmo processo pode ser transferido aos projetos, quando é necessário destacar os marcos críticos, estamos contando o que esperamos da trajetória do projeto. Portanto, o planejamento também é uma forma de externar nossas expectativas. Quando fazemos isso, torna-se mais fácil traçar uma estratégia para alcançar os objetivos. Logo, percebe-se que estabelecer metas é o primeiro passo para alcançá-las.

Confira abaixo a entrevista com Contardo Calligaris:

Quanto vale uma história?

A pesquisadora Naomi Klein afirma que marca não é publicidade, marca é o fim da publicidade. Isso significa que a marca deve carregar uma história, uma causa. A marca por si só é apenas um sinal gráfico.

Quanto mais convincente e atrativa for a história que sua marca carrega, maior será o valor dela. Um bom exemplo é o clube de futebol espanhol Barcelona.

A agremiação fechou o maior patrocínio da história do futebol com a ONG Qatar Foundation. Para ter sua marca estampada na camisa do Barcelona, a entidade pagará 30 milhões de euros (R$75 milhões) por ano durante cinco temporadas.

Mas por que uma instituição pagaria tanto por um espaço numa camisa de um time de futebol? Para poder associar sua marca à história do clube.

O Barcelona é o time dos catalães, grupo que busca a independência da Espanha. Além disso, o clube estabeleceu um esquema tático que valoriza a posse de bola e a habilidade de seus jogadores e o ensina desde as categorias de base.

E tem mais: no início da temporada 2006/2007, o presidente do clube, Joan Laporta, assinou uma parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância – UNICEF. Desde então, o Barça  PAGA para ter o nome da UNICEF na camisa.

Camp Nou, palco do Barcelona

É por tudo isso que no escudo do time está escrita a frase “més que un club” (mais que um clube). E foi por essa história que a Qatar Foundation abriu seus cofres ao Barcelona.

Esse fato pode ser refletido para nós trainees, quanto vale nossa história? Temos realizações que nos valorizam?