O que o Barcelona pode ensinar ao mundo corporativo

Todos ficaram admirados com a exibição do Barcelona na final do Mundial de Clubes do último domingo, quando o time catalão goleou o Santos por 4X0. Entendo que as qualidades esportivas da equipe já foram bem destacadas por vários especialistas. Gostaria aqui de mostrar as lições que o Barça pode ensinar ao mundo corporativo.

1 – Estratégia bem definida

O Barcelona sabe exatamente o que fazer, qual o melhor caminho para colocar seu esquema de jogo em ação, qual a função de cada jogador e o que fazer em cada situação. No domingo, quando o Santos pressionou, o time não perdeu o controle, tocou a bola e esperou os espaços aparecerem.

2 – Formação de talentos

O Barcelona possui uma filosofia de jogo que valoriza  a posse de bola. Essa forma de jogar é ensinada desde as categorias de base e os jovens estão sempre em ação jogando pelo Barcelona B na 2ª divisão espanhola e, muitas vezes, tem chances de disputar partidas pelo time profissional. Por isso, que, em certo momento da decisão do Mundial, nove dos onze jogadores em campo eram formados no próprio clube. Essa clareza no estilo da equipe também facilita na hora de buscar reforços, pois o clube passa a conhecer melhor o perfil do atleta que ele deseja. 

3 – Retenção de talentos

Um grande desafio enfrentado por muitas empresas é a retenção de talentos. O Barcelona proporciona um ambiente tranquilo para que os jogadores possam ter mais qualidade de vida. Um exemplo, enquanto o time do Santos estava concentrado sem poder ver os familiares, os jogadores catalães puderam dormir com suas esposas e sair para passear na véspera do jogo. Alguém imagina que o Barça tenha que armar um esquema milionário para segurar Messi no time como o Santos fez para não perder Neymar?

4 – Paciência e clareza de objetivos

Esses dois aspectos devem sempre andar juntos. Se sua empresa tem uma meta clara e um planejamento sólido, vai conseguir superar momentos de dificuldade e retomar o caminho do sucesso. Em 2009, o Barcelona perdeu a semifinal da Liga dos Campeões para a Inter de Milão. Na época, todos diziam que José Mourinho, técnico do time italiano, tinha encontrado o antídoto para o jogo da equipe espanhola. Hoje, quem ainda sustenta essa tese? Muitos diziam que o time havia perdido por privilegiar o bom futebol e não ser competitivo e parte da imprensa pediu a saída do técnico Guardiola. Porém, a direotria acreditou no trabalho de longo prazo e agora colhe os resultados.

5 – Importância do treinamento contínuo

Antes da final contra o Santos, o técnico do Barcelona assistiu 20 horas de vídeos de jogos do time praiano. Dessa forma, ele pode conhecer muito bem seu concorrente, analisar seus pontos fortes e evitar que ele explorasse as fraquezas de seu time. Essa é, na minha opinião, a lição mais valiosa. Algumas vezes, como na semifinal entre Santos e o time japonês, o talento individual sozinho resolve. Porém, para apresentar aquele espetáculo de jogo coletivo, com troca de passes precisa e troca de posições constante, é preciso praticar muito.

Essa lição o Barça aprendeu na derrota contra a Inter. Em entrevista ao jornal El País, o meia Xavi disse que, na decisão contra o Internacional, faltou alguém que cobrasse mais empenho nos treinamentos e muitos jogadores acabaram ficando acomodados. Desde aquele jogo, o time passou a dar mais ênfase também à preparação física e à consistência tática, deixando o talento de Messi e companhia como cereja do bolo.

6 – Inovação

Por fim, destaco um último aspecto: a inovação. O Barcelona tem um jeito único de jogar, um esquema tático que anula o time adversário e garante excelentes resultados. O melhor é que esse estilo de jogo está em constante evolução. Basta comparar o Barcelona de Ronaldo Fenômeno, de Rivaldo, de Ronaldinho Gaúcho e de Messi. Você verá claramente que o time vai se aprimorando a cada ano e agregando mais uma forma nova de se armar. Na final contra o Santos, Guardiola montou o time sem nenhum centroavante, com vários jogadores de meio de campo cumprindo esse papel. Isso dificultou muito a marcação do time brasileiro que acabou perdido em campo. Quem inova estará sempre um passo a frente!

O valor de um Pelé genuíno

Não seria mais legal ver Pelé comemorar o título vestido assim?

Escrevi na semana passada criticando o fato de Pelé ter usado um terno vermelho durante a comemoração do título santista na Libertadores da América, por conta de uma exigência do seu patrocinador, o Banco Santander.

Alguns leitores discordaram da minha opinião (o que é totalmente legítimo). Porém, gostaria que ficasse claro que em nenhum momento eu disse que Pelé não tem direito de ganhar dinheiro com sua imagem. Também não questionei as conquistas do Rei como jogador de futebol.

A grande questão é que Pelé é um dos atletas mais procurados por empresas para patrocínios. Então, acho que ele poderia negociar melhor os termos de seu contrato para torná-lo mais flexível.

Sinceramente, qual torcedor santista não preferiria ver Pelé entrar em campo com a camisa do time em vez de entrar com um terno vermelho? Já pensou ele comemorando o título com uma réplica do uniforme utilizado no campeonato de 1962? Depois, o Santander poderia utilizar essa imagem para mostrar que ele valoriza a essência do futebol. Na minha opinião, daria um retorno maior e os torcedores que acompanharam o título santista em 1962 ficariam felizes com o momento nostálgico.

O fato do Pelé ter entrado com o terno vermelho não é ilegal, só ofuscou um momento que poderia ser mais bem aproveitado. O Rei é uma figura de retorno imenso na mídia e, por isso mesmo, não precisa se submeter dessa forma ao patrocinador.

Para fechar essa discussão, gostaria de ressaltar que o fato de Pelé ter feito história no futebol não o torna uma pessoa inquestionável. Ele é um ser humano. Por isso, é falho, como todos nós.

Pelé é uma peça publicitária

A emoção patrocinada de Pelé

Santos campeão da Libertadores depois de 46 anos, com um time com vários talentos. Na arquibancada está Pelé, o maior ídolo da história do time. Certamente, por ser considerado o atleta do século e por tudo que representa, seria mostrado muitas vezes pelas emissoras de TV durante a partida.

Contudo, em um momento tão marcante, Pelé não aparece com a camisa do Santos, nem sequer veste-se de preto e branco como o time. Ostenta um exótico paletó vermelho, que, é claro, é amplamente comentado pelos jornalistas que transmitem o jogo. Ao final, durante a festa do título, Pelé entra em campo de mãos dadas com o técnico Muricy Ramalho. Todas as câmeras apontam para ele.

Festa no pódio e lá está o ex-craque santista no meio dos jogadores, comemorando com a torcida e abraçando os campeões.Todos com camisas comemorativas do título ou com o uniforme do Santos, menos Pelé, com seu suspeito paletó vermelho. Descobriu-se depois que a peça de vestuário era parte de uma ação publicitária do Banco Santander. Na final do ano passado ele já havia aparecido com a famigerado paletó, porém, no grande momento do seu time de coração, esperava-se mais grandeza de espírito e menos oportunismo.

Ninguém com o mínimo de bom senso acharia estranho Pelé participar de uma festa do Santos. Afinal, ele é o maior ícone não só da história do clube, mas também do futebol brasileiro. E é exatamente por toda essa representatividade que ele possui que me pergunto: porque o Rei decidiu manchar sua imagem em troca de dinheiro? Ele, com certeza, não passa por dificuldades financeiras. Então, foi simplesmente ganância e oportunismo.

Pelé sabe o que representa e, pelo que parece, não liga muito em arrendar seu carisma a quem lhe pagar bem. É um direito dele, mas, na minha opinião, quando ele age assim, não faz jus ao papel do ídolo que costumava ser.

Assista à entrada “triunfal” de Pelé ao final da partida, de mãos dadas com Muricy Ramalho e a propaganda que o “Rei” fez para o banco espanhol:

O livre trânsito no Mercosul futebolístico

Jogador estrangeiro não é sinônimo de craque

O empresário Fernando Otto enviou um projeto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para que os atletas oriundos dos países do Mercosul deixem de contar no limite de estrangeiros dos clubes do bloco político-econômico.Atualmente, no Brasil, cada time pode escalar no máximo três estrangeiros.

Times como o Cruzeiro e o Internacional, que contam com seis atletas de outros países em seu plantel, tem que escolher quais vão atuar. Lembrando que na Libertadores não há limite. E aqui mora minha principal hipótese. Com a valorização crescente das competições continentais em detrimento dos campeonatos nacionais, tem crescido um lobby para a estrangeirização do futebol brasileiro.

A pesquisador Naomi Klein afirma que as empresas de hoje tentam se aproveitar de movimentos ocasionais para dar significado a sua marca. “A ideia é você ter uma ideia que ressoe com o espírito da época, e você está sempre vasculhando a cultura atrás da nova ideia, a ideia mais ressoante”.

Fernando Otto foi o responsável por negociações de jogadores argentinos como D`Alessandro e Maxi Lopez. Minha suspeita é que ele esteja se aproveitando do sucesso de alguns jogadores para emplacar uma ideia de que, para ganhar qualidade, o futebol brasileiro deve importar jogadores. Essa ideia é reforçada pelos lugares comuns de que times argentinos se saem melhor em competições continentais, porque seus jogadores sabem jogar a competição.

É claro que há jogadores estrangeiros excepcionais, como Conca, do Fluminense e Montillo, do Cruzeiro. Porém, o lobby estrangeiro ignora que o time mais encantador do futebol brasileiro nos últimos tempos, o Santos, só conta com jogadores brasileiros e que entre eles estão Neymar e Ganso, destaques de nível mundial. Continuar lendo