Fio condutor

Quinta-feira, dia 23 de dezembro, encerrou-se a primeira etapa do programa de trainees. Refletindo sobre as duas áreas por onde passei, lembrei da cidade de São Paulo.

São Paulo é uma cidade tão diversa, que cada bairro parece uma nova cidade. No entanto, há algo entre as várias comunidades que lá vivem (japoneses, italianos, libaneses etc) que dá forma à uma identidade comum, a de cidadãos paulistanos.

Da mesma forma analiso a Unidade de Assessoria Institucional (UARI), meu primeiro rodízio, e a Unidade de Acesso a Serviços Financeiros (UASF), meu segundo rodízio. As duas áreas possuem características tão próprias que às vezes parecem não fazer parte da mesma empresa.

Ao experimentar esse conflito de atuações, pude entender melhor a função de documentos como o Direcionamento Estratégico do Sebrae e as metas mobilizadoras. São mecanismos como esses que permitem que áreas tão diversas criem uma identidade e possam atuar em conjunto em prol de um objetivo comum.

É possível fazer um paralelo com a teoria de Hegel. Posso dizer que a UARI é a tese; a UASF, a antítese; e o Sebrae seria a síntese. Dessa forma, a empresa possui características que a identificam com todas as áreas, mas não pode ser explicada por apenas uma delas.

O sistema de rodízio do programa de trainees nos ajuda a enxergar mais claramente essa conexão macro e a pensar pontes que possam ligar a atuação de todas as unidades do Sebrae, potencializando os resultados para as micro e pequenas empresas.

Feliz Natal e um ótimo 2011 para todos!

O cargo e o mito

Na última sexta-feira, o diretor técnico do Sebrae Carlos Alberto dos Santos passou pela UASF e despertou-me uma reflexão. Alguns colegas da unidade brincaram com ele pelo fato de ser torcedor do Corinthians. Ele levou numa boa e defendeu o time do coração.

A situação me fez pensar como às vezes o cargo que a pessoa ocupa pode criar uma espécie de barreira invisível, que nos impede de nos relacionar. Comecei a refeltir em quantas ideias ou quantas sugestões deixei de dar por me intimidar pelo cargo do meu interlocutor.

Essa minha impressão parece ter refletido na avaliação do gerente da unidade. Ele comentou que me achou um pouco tímido. As pessoas que me conhecem dizem exatamente o contrário. Acabei percebendo que às vezes me deixei intimidar pelo cargo de gerente e acabei não passando tudo que poderia passar de bom para meu chefe.

Notei então que tenho que derrubar essas paredes invisíveis que os níveis hierárquicos escondem. Afinal, quem ocupa o cargo é um ser humano, que pode ser inclusive corintiano, como eu!

Eu represento um instinto coletivo

O título deste post foi retirado de uma música do grupo o Rappa. A canção fala sobre como a trajetória de cada integrante constrói a imagem de sua comunidade.

Nesta semana, os gerentes das unidades avaliarão os trainees das suas áreas. Para mim, a avaliação é momento de muita responsabilidade. Eu enxergo que o desempenho de cada trainee separadamente influi no destino do grupo.

Acredito que cada trainee bem avaliado deixa uma boa impressão na unidade e abre espaço na empresa para os demais. Por isso, desejo que todos se saiam muito bem nas avaliações e que ao final do programa todos sejam contratados. Juntos chegaremos lá!

Assista ao clipe do Rappa:


Concentração

Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central ilustra a concentração dos canais de serviços finaceiros no Brasil. Só como exemplo, o Sudeste é sede de 10.946 agências bancárias. Se somarmos as agências de todas as outras regiões, chegamos a 8.884 agências. Ou seja, a região Sudeste é responsável por mais de 55% das agências no país. Só o estado de São Paulo possui mais de 6 mil.

Essa concentração é um dos focos de preocupação da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae, que busca promover e apoiar o desenvolvimento e a descentralização dos canais de acesso a serviços financeiros. Atualmente, a média de canais de acesso a serviços financeiros para cada 10 mil adultos é de 1,36. Contudo, enquanto no sudeste essa média alcança 1,75, no Norte e Nordeste fica bem abaixo da média nacional com 0,75 e 0,72 canais por 10 mil adultos, respectivamente.

Minha passagem pela unidade tem mostrado que a sustentabilidade financeira é a base das empresas. Porém, essa preocupação deve ser de todo o Sebrae, que deve estar integrado nos esforços pela inclusão financeira.

Para ler o Relatório de Inclusão Financeira do Banco Central acesse o link: http://www.bcb.gov.br/Nor/relincfin/relatorio_inclusao_financeira.pdf

Para refletir

Pesquisa do  economista e professor do Ibmec-RJ Sérgio Ferreira Guimarães estima que a “indústria” do tráfico de drogas emprega até 16 milhões de pessoas no Rio de Janeiro. São mais “empregados” do que a Petrobrás tem no estado.

O Plano Plurianual do Sistema Sebrae 2011 -2013 aponta que em 2010 as importações cresceram 45,1% e as exportações apenas 28,9%. Por esses números, é possível indicar que há mais produtos internacionais sendo consumidos no país. Se pesquisas recentes do PNAD indicam aumento do poder de compra do brasileiro, vê-se que esse potencial não tem sido plenamente aproveitado para expandir o mercado interno.

Fazendo um link entre o primeiro e o segundo parágrafo, é possível dizer que, se há mais mercadorias sendo produzidas fora do país, há menos trabalhadores brasileiros envolvidos na cadeia produtiva. Consequentemente, há menos postos de trabalho abertos no país. Pessoas desempregadas podem ficar mais sucetíveis à criminalidade.

Logo, o trabalho do Sebrae, ao disseminar o empreendedorismo, pode ser uma porta de entrada para que as pessoas, hoje “empregadas” pelo tráfico, entrem no mundo da legalidade. Vale lembrar que as micro e pequenas empresas são as maiores geradoras de postos de trabalho no Brasil. Fica a reflexão…

Um mundo que se abre

Banco comunitário Palmas empresta a juros

Na semana passada, entre os dias 17 e 19 de novembro, foi realizado o II Fórum Banco Central de Inclusão Social. O Sebrae participou do evento como um dos organizadores e eu tive a chance de acompanhar os debates lá realizados. Porém, esse post não tem o objetivo de reportar o que foi discutido por lá.

Na verdade, eu gostaria de expressar minha alegria de ter participado do evento. Para mim, foi um ganho que transcendeu o campo profissional e ampliou minha visão de mundo. No campo da inclusão financeira, trabalha-se com o que se costuma chamar de “Brasil profundo”, ou seja, com a pobreza extrema.

Vou guardar para sempre a conversa de Sandra Magalhães, representante do banco comunitário Palmas, com o presidente Lula. Em sua fala, Sandra lembrou que o presidente havia visitado o banco Palmas antes mesmo de ser eleito para seu primeiro mandato.

O presidente em seu discurso retomou a lembrança e comentou que o banco havia lhe dado um cartão com crédito de R$15. Sandra logo corrigiu “foi de R$ 20, presidente” e acrescentou: “a gente deu crédito máximo para o senhor”.

Esse diálogo me fez refletir que há diversas  comunidades no país como a do conjunto Palmeira (Fortaleza/CE), sede do banco Palmas, onde R$20 representa uma quantia significativa para as famílias, que ao ter acesso a esse dinheiro, podem, por exemplo, garantir a comida dos filhos por uma semana.

Por isso, muito além dos conhecimentos técnicos, a participação no Fórum representou para mim um ganho de humanidade. O colega André Dantas costuma comentar que os trainees não devem ser treinados para atuar em unidades determinadas, mas para trabalhar em qualquer área do Sebrae. Posso dizer que esse evento me tornou não só um profissional mais capacitado, mas também um ser humano mais consciente, me “capacitou” para a vida.

A cobertura do II Fórum Banco Central de Inclusão Financeira está disponível no blog Pequenos Negócios e Finanças.

Abaixo dois vídeos. O primeiro sobre o Banco Palmas e o segundo, uma reportagem da TV NBR sobre o Fórum.

Finanças em dia melhoram a economia emocional

Estabilidade financeira dá tranquilidade para inovar

Em artigo para a revista, Le Monde Diplomatique Brasil, o sociólogo Jessé de Souza explica a expressão “economia emocional”. De acordo com Souza, o fato pessoas de famílias mais abastadas, que tiveram a oportunidade de ter contato mais bens culturais, tem uma perspectiva diferente da vida, compartilhando valores que lhes permitem conquistar empregos com remuneração suficiente para manter o mesmo padrão de vida.

O sociólogo explica que pessoas de faixas mais pobres tem mais dificuldade em ascender socialmente, pois não tiveram a mesma chance de usufruir de bens culturais. Essa falta faz com que essas pessoas tenham uma percepção diferente da realidade e acabem sem oportunidades.

Minha vivência aqui na Unidade de Serviços Financeiros (UASF) me permitiu perceber o quão importante é esse assunto na vida do empreendedor, tanto que uma das entregas que devo fazer é tornar o site da Unidade mais informativo para o público.

Por meio da experiência que estou tendo, consigo fazer uma analogia entre o pensamento de Souza e o universo das empresas. É possível dizer que o empreendedor que não tem um fluxo de caixa bem feito acaba gastando muito tempo tentando sanar esse problema e perde outras oportunidades de expandir o negócio.

Por isso, o trabalho do Sebrae na parte de acesso a serviços financeiros é tão relevante. O empresário que consegue resolver seus problemas financeiros pode focar outros pontos do negócio, como marketing, atendimento, entre outros.

O Sebrae não empresta dinheiro, mas presta consultoria e ajuda o empreendedor a ordenar o caixa de sua empresa, contribuindo para um aumento da economia emocional. A tranquilidade trazida pela estabilidade financeira permitirá ao empresário arriscar mais, o que abre caminho para inovação e aumenta a competitividade dos produtos.