O Youtube pode virar um oligopólio?

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O Youtube é uma das redes que mais crescem no mundo. Isso tem atraído cada vez mais investidores. O investimento vem dobrando de m ano para o outro. O gasto médio subiu 60% e o investimento em programada 40%, segundo pesquisa realizada com as 100 maiores marcas globais pela consultoria Pixability.

A plataforma de vídeos é uma das poucas mídias sociais que divide lucro com seus usuários criadores de conteúdo. Isso atrai uma imensidão de gente que deseja fazer dinheiro e ganhar visibilidade. Contudo, com o crescimento exponencial de creators, as publicidade fica pulverizada e o RPM (receita por mil views) diminui.

A solução, além de buscar fontes alternativas ao adsense, tem sido se filiar a umanetwork, que são empresas que reúnem um conjunto de canais e oferece uma série de serviços de suporte, como consultoria na produção do conteúdo, negociação de direitos autorais e intermediação na venda de publicidade.

Nesse ponto é que está baseado o questionamento do título desse texto. Se está cada vez mais difícil se destacar sozinho no Youtube e as networks tem se apresentado como principais intermediárias na curadoria e promoção de canais, então a plataforma corre o risco de perder a seu charme de empoderar creators e se transformar em um oligopólio dominado por grandes networks? Existe um risco de concentração do pólo emissor? Isso pode levar ao controle dos conteúdos e à perda da criatividade?

Apesar de haver alguma possibilidade de isso acontecer, o grande impedimento desse movimento centrípeto é exatamente a inventividade e o empreendedorismo. Sempre haverá um gama imensa de pessoas talentosas empreendendo sozinhas ou em pequenas parcerias e oferecendo um conteúdo de qualidade. Como bem destacou o canal Youpix, vivemos atualmente o Creators Shift, ou seja, a era dos criadores independentes de conteúdo.

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Títulos vazios – a força da realidade sobre os significados

Neste vídeo, o etimologista Mark Forsyth demonstra por meio de um exemplo como os políticos tentam utilizar as palavras para “domar” o curso da história e como o resultado dessa tentativa é exatamente o contrário do desejado.

Os poucos mais de 6 minutos de palestra evidenciam os interesses ocultos dos discursos políticos e mostram como a escolha de nome dos cargos pode virar tema de debate por meses nos parlamentos.

O jornalismo brasileiro precisa de âncoras

Will McAvoy, âncora do “The Newsroom”

O seriado americano “The Newsroom” (criado pelo roteirista do filme “A Rede Social”, Aaron Sorkin) estreou no Brasil no último domingo na HBO (assista o trailler AQUI). Ele conta a história de uma equipe que tenta reformar um telejornal, baseado nas áreas de economia e política e nas opiniões do âncora Will McAvoy.

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Maurício Stycer analisou as experiências de âncoras no telejornalismo brasileiro. Segundo o articulista, as iniciativas não tiveram muito sucesso, apesar do pioneiro Boris Casoy ainda comentar as notícias no Jornal da Band.

Stycer, no entanto, esqueceu de um caso recente de âncora que vem se mostrando razoavelmente promissor na minha opinião. A jornalista Raquel Sherazade, que na época trabalhava no jornal paraibano Tambaú Notícias, ganhou notoriedade depois que um vídeo seu criticando a festa de Carnaval alcançou mais de dois milhões de acessos no Youtube (assista AQUI). A resposta dela à repercussão do primeiro vídeo também chegou perto da marca de um milhão de visualizações (veja AQUI).

Raquel Sherazade, âncora do jornal do SBT

O sucesso dos comentários foi tão grande que Silvio Santos a chamou para ancorar o Jornal do SBT. As opiniões de Sherazade continuaram a ganhar projeção na internet. Três vídeos já passaram das 500 mil exibições e outros tantos de 300 mil. Dessa forma, ela consegue superar possíveis barreiras de audiência da emissora e aumentar a amplitude do seu trabalho.

A popularidade de diversos blogs demonstra o interesse dos leitores não só pela notícia, mas pela análise e até pela tomada de partido do articulista. Independentemente de concordarmos ou não com os argumentos de um âncora, os pontos de vista nos ajudam a formar nossa opinião.

Outro ponto importante, a meu ver, é que quando o jornalismo assume uma posição clara, ele resolve o problema da imparcialidade. Muitos pesquisadores de mídia já demonstraram a impossibilidade de realizar um noticiário neutro, tendo em vista que todo ser humano é influenciado de alguma forma. Ao tornar visível o seu posicionamento, o âncora proporciona mais clareza ao telespectador.

A popularidade de Sherazade é um indicativo de que o público aprova esse formato. Contudo, o SBT, por não ser a principal emissora do país, tem liberdade para testar novos modelos e para permitir que a jornalista expresse seus pontos de vista de forma mais incisiva. Agora, é esperar para ver se o sucesso da âncora vai influenciar as duas principais emissoras do país.

Assista abaixo dois vídeos de Sherazade:

 

Texto publicado no “Observatório da imprensa”.

Sinatra e Joe Bean!

Luis Fernando Veríssimo diz que Tom Jobim foi um dos responsáveis por elevar o status internacional da música brasileira. Em uma época em que artistas brasileiros tinham que adotar vulgos americanos para poderem fazer sucesso além das nossas fronteiras, Tom conseguiu fazer a música nacional conhecida com seu próprio (e brasileiro) nome. Veríssimo afirma que a única situação em que Tom tinha seu nome americanizado era quando o seu porteiro de seu prédio nos Estados Unidos o chamava por engano de mister Joe Bean.

Abaixo um encontro épico de Tom Jobim e Frank Sinatra. Bom final de semana a todos!